Nós encontramos o amor (Luzes da cidade)

Me encontro perdido, atordoado
Em busca de respostas.
Observo as pessoas passando
Algumas apressadas, outras apenas rindo sem motivo
Movimento a cabeça a procura de um conforto
Tento distinguir as luzes que me rodeiam
São tantas vitrines, postes e carros
Uma cidade coberta de neons, flashs e vultos
Me misturo aos vários tons e cores
As pessoas continuam andando
Me sinto incomodado com suas risadas
Daqueles que voltam das noitadas carregados pelos amigos
Alguns fumam, outros parecem drogados
A embriaguez domina, alimenta a libido dos homens
Me aperto em meu sobretudo
O vento começa a mostrar sua identidade
Meu relógio marca três horas da madrugada
Olho para todos os cantos e vejo vários casais
Dos mais variados
Héteros, gays, lésbicas, trans
O mundo está repleto de escolhas
O amor está liberto de clichês, de rótulos
Marcas de roupas e eletrônicos aparecem nas portas das lojas
As luzes da cidade ofuscam minha dor
As pessoas gargalham, vomitam xingamentos
Fazem gestos obscenos
Se arrastam pelos muros das casas, dos prédios
Declamam poemas atropelados
Um carro passa e buzina para uma pessoa embriagada
Continuo meu caminho naquela noite fria e iluminada
A lua timidamente continua no céu
Me olha com certa reprovação
Meu caminho é duro
Procuro não pensar em nada e apenas seguir em frente
Minhas mãos congelam no frio pouco amistoso
Olho para os lados e as luzes banham o meu caminhar
Aperto o passo
As pessoas me recriminam, zombam da minha sensação de frio
Alguns exalam maus cheiros, odores de uma roupa banhada pela bebida
Procuro apenas caminhar, não olhar para trás
As luzes me distraem e esbarro em um obstáculo
Procuro ver o que houve e lá está você
Timidamente me encarando com um olhar de reprova
Peço mil perdões e procurar auxiliar qualquer ferimento
Você recusa meu afago e diz que “está tudo bem”
Procuro manter a tranquilidade e mostro um sorriso
Você retribui com um sorriso de lado
Ofereço-me para te acompanhar até seu destino
Caminhamos juntos
No frio intenso daquela madrugada
Em uma rua mais calma, mas mesmo assim não tranquila
Chegamos a sua casa
Pergunto novamente seu estado de saúde
Você reclama de minha insistência
Me chama de cuidadoso
Mas que não precisa de tudo aquilo
Faço uma promessa de não insistir
Lhe ofereço um abraço
Sua timidez o recusa de imediato
Mas seu interior pede um carinho naquela noite
O relógio marca três e meia da manhã
Deveríamos estar dormindo
Pensando nos afazeres do dia seguinte
Ou daquele dia que mal começara
As pessoas nem nos olham mais
Fogem daquele momento
Te encaro com um olhar doce
Você ruboriza e se despede apenas com um aceno
Te olho mais uma vez e retribuo o “até logo”
Você, feliz, abre a porta de sua casa e a fecha com cuidado
Volto o meu caminhar agora tranquilo
Penso que um dia ainda irei entrar por aquela porta
E permanecer ali
Para sempre
Ou nem sempre
Mas boa parte deste sempre
Que nem todas as pessoas irão conhecer
Irão saborear
A lua ilumina meus pensamentos
E me afaga com sua luz
Me lanço ao meu caminhar
Sem o olhar das pessoas
A caminho dos meus mais íntimos sonhos
Nós encontramos o amor.

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