O preconceito que ainda existe sobre os negros

(Foto: Reprodução)

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Em dado momento de 2016, uma cantora dos Estados Unidos resolveu lançar uma música, e logo em seguida seu clipe, que critica diversas posições de seu próprio país, como por exemplo o preconceito ainda existente contra os negros, não apenas na América do Norte, mas no mundo todo.

Se fosse apenas uma cantora de começo de carreira, ou mesmo com pouca influência, passaria despercebida ou até mesmo seria calada pela violenta mídia que temos hoje. Mas a cantora em questão é Beyoncé Knowles, que atualmente (me desculpem os fãs de outros artistas) se mantém no topo como uma das artistas mais influentes e vende milhões de cópias de seus trabalhos.

No entanto, como é de se espantar, os mais aflitos ficaram chocados com tamanha audácia da cantora que, além de lançar um trabalho desses, levou a música para o ‘Super Bowl 50’, evento que uniu as duas melhores equipes do futebol americano da temporada e que reúne vários negros e brancos. O choque foi demais para os mais preconceituosos.

Sim, quem reclamou dessa “audácia” de Beyoncé não se importa nenhum um pouco com uma mudança radical nos direitos dos negros. Enquanto vemos candidatos as eleições – e mais ainda, a cantora lançou a música em ano eleitoral – disparando ódio e preconceito entre o povo estadunidense, temos que ver pessoas ironizando a artista e formando um boicote ao futuro trabalho da mulher de Jay-Z. Desculpe os racistas, mas Beyoncé está defendendo sua raça.

Você mistura aquele negro com aquela crioula e faz uma Texana
Eu gosto do cabelo do meu bebê, com o cabelo de bebê afro
Gosto do meu nariz negro como manda os Jackson 5
Ganhou todo esse dinheiro, mas eles nunca tiraram o meu país de mim

(Foto: Reprodução)

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“Honey B” canta em quase todos os versos da música trechos sobre problemas que ela já teve, como o caso do cabelo de Blue Ivy Carter, que muitos pediram para que ela mudasse o estilo “black power” e adotasse algo mais… (não consigo achar uma definição para isso), além de ser acusada de participar da seita Illuminati. Quando unido ao clipe, a cantora pede que menos tiros sejam dados a esmo nos negros e que a cidade de New Orleans possa se tornar um lugar habitável depois do furacão Katrina.

Beyoncé não canta ou mostra nenhuma mentira. Temos exemplos vivos aqui no Brasil de problema no mesmo patamar. Até piores, comparado ao estilo de vida estadunidense e brasileiro. O boicote vai ser porque a cantora simplesmente expôs sua opinião? Ou porque ela é negra falando dos negros?

Abro espaço para um texto que li essa semana no site “As Mina na História”, que mostra claramente o problema de um negro querer defender sua classe em um país dominado por brancos.

Em termos rápidos, Nina Simone pagou com a carreira, que era sua vida. A música e expressão, sua essência vital, foi à derrocada conforme ela abraçou os direitos civis nos Estados Unidos e trouxe o questionamento pro ambiente artístico. Aquela negra bocuda que convocava os jovens para confrontarem sua realidade de abandono social foi calando. Deixou de receber convites para tocar. Nina Simone virou estigma. Virou pecado. Ninguém queria uma negra consciente da sua influência e do poder do seu discurso para união do povo negro. Para a época, bastava uma negra arrumadinha, quiçá sapateando e sorrindo num tablado, e a diversão era garantida.

Beyoncé caminha por esse lado, mas o mundo de hoje está mais liberto e a artista possui vários defensores. A cantora falou o que todos têm medo de dizer. E ela colocou sua opinião a prova.

(Foto: Reprodução)

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Mais um pouco de “As Mina na História”

Muitos artistas negros sofreram represálias por se posicionarem politicamente contra a segregação racial, a favor dos direitos civis, pela conscientização da população negra sobre sua situação de encarceramento mental nos Estados Unidos. E no Brasil, faça-me o favor. QUEM É TAÍS ARAÚJO OU ISABEL FILLARDIS pra falar alguma coisa, não é verdade?

E olha que o Brasil é um país com diversidades de raças, e se muitos buscarem no passado, vão ver que terão um pouco do negro na família.

Quem somos nós para julgar Beyoncé? Queremos retroceder na história? Demonstrarmos que somos ignorantes? Definitivamente não me encaixo nesse boicote, defendo essa liberdade de expressão até o fim. E espero que esse fim seja bom para a História.

Assista “Formation”: https://www.youtube.com/watch?v=LrCHz1gwzTo

Veja “As Mina na História”: http://asminanahistoria.com.br/

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