O jornalismo como espetáculo na “prisão” de Lula

 

Na época da faculdade de jornalismo, eu sempre ouvi da maioria de meus professores que jornalista não está no mercado para criar espetáculo, para realizar o que conhecemos como “showrnalismo”. O jornalismo, em sua principal essência, está nesse mundo para trazer toda a verdade de um determinado assunto.

O que estamos vendo nesta sexta-feira (04/03/2016) é um caos criado por manifestantes, tantos os prós quanto os contras, e o espetáculo criado pela imprensa. Para quem dormiu o dia inteiro nesta sexta-feira, o ex-presidente Lula foi abordado por quase um exército nacional em sua casa, em São Bernardo do Campo (SP), para dar esclarecimentos na investigação da Operação Lava Jato.

O espetáculo começa quando a Rede Globo noticiou, quase tudo em primeira mão, sobre a “prisão” de Lula em sua casa, até seu transporte para o Aeroporto de Congonhas, onde lá deu depoimento para a Polícia Federal em uma sala restrita a qualquer tipo de imprensa e aparelhos eletrônicos. A manhã foi inteira dedicada a isso – nem Fátima Bernardes conseguiu apresentar seu “programete” com dignidade.

O grande show nisso tudo foi a abordagem feita pela emissora ao caso – que aos mais inteligentes sabem o porquê de todo esse alvoroço feito pela RGT. A emissora realizou um tipo de “Big Brother”, soltando por muitas vezes informações repetidas pela jornalista Sandra Annenberg, com as manifestações e imagens do aeroporto como pano de fundo.

Minha crítica perante a tudo isso é que a Lava Jato não mostrou completamente a falcatrua que tem no Brasil. Nem de longe vemos outros corruptos sendo ligados a desvios de verbas, lavagens de dinheiro e por ai vai. A “prisão” de hoje mostra como a operação está pendendo apenas para um lado sem ao menos analisar o outro. Precisamos investigar tudo e a todos, pois é para isso que serve a Justiça.

O jornalismo de hoje ultrapassou todas as barreiras do espetáculo. Estamos vendo articulistas, formadores de opinião é até os “jornalistas de araque” querendo seu espaço perante o escândalo. Lula pode ter sua culpa no cartório e deve responder sim pelos seus possíveis crimes, mas não vamos fazer disso um show para conseguir audiência e prestígio. Não é desse jeito que se faz jornalismo.

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