(Im)parcialidade jornalística nas manifestações de domingo (13)

A mídia, em busca da sua melhor manchete, foi árdua na sua cobertura das manifestações do último domingo (13). Os protestos, todos direcionados para a presidente Dilma, ocorreram em várias cidades do país, mas algumas em horários diferentes. O ápice de toda essa cobertura estava nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.
Era possível encontrar de tudo nessas manifestações, desde de gritos estridentes para o fim da corrupção até pessoas que pouco sabiam o que faziam ali. Em um ponto crucial dos movimentos, políticos como Alckmin e Aécio foram hostilizados pelos manifestantes, e o momento que era de aproveitar o domingo para “apoiar” a saída da presidente, foi de pura decepção para a elite do PSDB. Dica: local de protesto não é local de fazer política.

O que vimos nesse domingo pode ser apontado nas seguintes conclusões:

– O que muito se viu foi a classe média/alta em peso. Em poucos lugares você encontrava pessoas desfavorecidas protestando. Deixemos claro que o ato era contra a corrupção, mas muitos movimentos foram contra o governo Dilma e o PT.

– Personagens como o homem enforcado em São Paulo e a família no Rio mostraram o quanto o movimento chegou ao ponto da bizarrice. Mais parecia uma festa, com os abadás em verde e amarelo, e as músicas embaladas em ritmo “fora Dilma” e “fim da corrupção”.

– O trabalho da mídia, de caráter até então imparcial, foi por água abaixo nas manchetes dessa segunda (14). Jornais como Folha e Estadão demonstraram que o ato “anti-Dilma” foi o maior do Brasil, o que resulta – na interpretação dos mais “inteligentes” – que o povo está cansado do governo atual – e espero que cansado da corrupção independente do partido.

O que o povo está cansado mesmo, e nisso eu me incluo como cidadão, é a corrupção que sempre rolou solta no governo brasileiro. As manifestações, em sua essência, pediam o fim da corrupção e dos diversos roubos, sejam eles pelos desvios nas estatais ou pelo desvio da merenda das escolas públicas. No entanto, algumas pessoas de elite, com seus carros de última geração e seus condomínios fechados, protestavam pela mudança do governo que tentou distribuir melhor os investimentos entre a população.

Alguns mais ignorantes pediram para as pessoas acionarem os seus megazords e irem para a rua e protestar. Não teve melhor momento para fazer tal comparação, não é mesmo? Definitivamente, algumas pessoas não sabiam para que estavam saindo as ruas, mas como somos “maria vai com as outras”, nós vamos sair de casa e vamos deixar acontecer.

Não sei se os protestos surtiram o efeito necessário, mas a mídia cumpriu mais uma vez o seu papel de demonstrar que a imparcialidade sumiu do jornalismo há muitos anos. Hoje o jornalismo é feito com cunho comercial, o jogo de interesses está mais forte do que nunca, e as manchetes mais escandalosas. E vamos seguir em frente, porque para 2018 ainda tem muito chão pela frente.

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2 comentários sobre “(Im)parcialidade jornalística nas manifestações de domingo (13)

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