O definitivo papel do jornalismo no Brasil

(Foto: Mídia Ninja)

(Foto: Mídia Ninja)

O Brasil não é outra coisa atualmente senão o possível impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os fatos foram se desencadeando, as denúncias e investigações da Lava Jato foram acontecendo e muitas delações premiadas foram acontecendo, bem naquele jogo, “eu falo, mas vocês terão que diminuir minha pena”.

No entanto, as denúncias contra o ex-presidente Lula dominaram o cenário jornalístico desde que a Polícia Federal lhe fez uma “visita” em São Bernardo do Campo. Fervorosa, a imprensa ficou em cima de todos os fatos daquele dia e não deixou escapar qualquer detalhe. Informações repetidas foram colocadas no ar enquanto os fatos no aeroporto de Congonhas foram ocorrendo no pano de fundo.

A partir desse ponto a mídia noticiosa ficou com a arapuca armada. Qualquer informação sigilosa ou fato inédito que “vazasse” para os jornalistas eram motivos de estardalhaços e reportagens de mais de 7 minutos nos noticiários. E olha que sete minutos é chão para o jornalismo na TV.

Mas outras mídias foram categóricas para se inteirar dos fatos. Manchetes alarmantes, colunistas apontando culpados e inocentes, jornalista defendendo o fulano e acusando o beltrano, foi um festival de informações, algumas um pouco desconexas, no apanhado gigantesco trazido pelos veículos tradicionais e também pelas mídias independentes. O jornalismo independente nunca se mostrou tão forte e importante como agora no país.

Neste momento todos viravam críticos, todos entendiam de política, sabiam quem era culpado e quem estava sendo acusado injustamente, até mesmo os não-jornalistas foram firmes em suas opiniões, tanto em redes sociais quanto nas famosas discussões de mesa de bar.

Não sou contra esse tipo de ação, devemos mesmo questionar o futuro do país, questionar quem está no governo, mas não é de hoje que a polícia desandou. Não é de hoje que temos corrupção no país, seja ela na presidência, câmara dos deputados e tudo mais, temos corrupção em instituições menores, como câmara dos vereadores, associação de moradores e até sindicatos. Tudo porque o cidadão quer se sobressair em cima dos menos favorecidos.

O Brasil sofre com inflação, crise econômica e falta de investimentos desde que essas terras foram descobertas e tomadas pelos portugueses. Para quem é leigo e não se importa com a história do país, o Brasil foi então dominado pelos portugueses para servir apenas como um grande pasto para o cultivo de café, açúcar e outras riquezas que foram arrancadas de nossas terras.

Entretanto, o nosso momento atual é de cansaço do povo. Pelo menos quem vai as ruas cansou de ir ao shopping ou mercado e encontrar preços abusivos, cansou de não ter dinheiro para pagar a empregada, cansou de dividir o mesmo espaço com a classe baixa, cansou da alta do dólar. Cansaram de acionar os megazords e não conseguirem combater essa impunidade.

O jornalismo, na sua atual essência, tenta encontrar um meio de “se manter”. Ser imparcial é difícil, pois você precisa buscar os dois lados da bagunça, de quem acusa e de quem é acusado. Enquanto a reportagem acusa de um lado, o “direito de resposta” do outro é sempre colocado como uma nota no final, e sempre lida pelo âncora. Em reportagens escritas, seja no jornal ou na internet, você encontra a parcialidade pelo tamanho destinado a cada caso. Se o “direito de reposta” é colocado lá no final em dois míseros parágrafos, já da para ver como foi o trabalho da imprensa.

Aliás, o Direito de Reposta virou uma afronta aos jornalistas. Libertos, a mídia brasileira se sentiu ofendida quando o governo interviu no seu modo de fazer notícia. Há dois lados para se pensar nisso: ou o governo sentiu a pressão ou o jornalismo perdeu parcialmente o seu campo principal de informar, quaisquer forem os lados.

Um dos problemas dessa “parcialidade” é que se não há fatos novos, você vê a notícia repetida nos diversos veículos. Para chocar, a reportagem vem com uma foto grande, mostrando a manifestação e tudo mais. Para endossar mais ainda a posição do jornalista, o colunista manda uma enxurrada de informações no seu espaço, apontando o dedo para fulano ou beltrano.

No mais, eu espero que a cobertura desse tipo de “evento” continue como está, pois assim sabemos o verdadeiro papel da mídia nesse atual Brasil. Quem sabe, daqui pra frente, não vamos definitivamente encontrar o papel do jornalismo brasileiro. Por isso cada vez mais apoio o jornalismo independente.

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