A loucura político-partidária no Brasil

Ariane Leitão é militante do PT há 16 anos (Foto: Camila Domingues / Palácio Piratini/Divulgação)

Ariane Leitão é militante do PT há 16 anos (Foto: Camila Domingues / Palácio Piratini/Divulgação)

 

Chegamos ao ápice da loucura política no Brasil. Para quem não se deixou levar para manipulação midiática dos últimos meses, vai entender o que vou dizer. Uma pediatra de Porto Alegre (RS) se recusou a continuar o atendimento ao filho de uma vereadora suplente da cidade, por ela e o marido serem filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT). A médica informou a mãe sobre a suspensão do atendimento por meio de uma mensagem.

Indignada, a mãe foi às redes sociais e logo em seguida a internet estava cheia de críticas – positivas e negativas – pelo o comportamento da médica. O caso foi denunciado pela mãe ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), que estudaria medidas legais a serem tomadas. No entanto, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) se posicionou sobre o caso em entrevista ao jornal Diário Gaúcho, e repercutida pela imprensa gaúcha, onde defendeu a conduta da pediatra. Confira a entrevista do presidente do sindicato ao Diário Gaúcho:

Diário Gaúcho – Como o sindicato vê a atitude da médica?

Paulo de Argollo Mendes – É absolutamente ética. O código de ética médico tem um artigo que estabelece como deve se dar a relação entre médico e paciente. Tem coisas muito claras. Por exemplo, se é uma urgência ou se tu és o único médico da cidade, tu atendes e ponto. Não tem condicionais, é a tua obrigação. Tu não és o único médico da cidade e o paciente tem a possibilidade de escolher outros profissionais, daí tu tens que ser honesto, tens que ser leal com o teu paciente. Se tem alguma coisa que te incomoda e que tu achas que vai prejudicar a tua relação com o teu paciente, se tu não vais te sentir confortável, se não vai ser prazeroso para ti atender aquela pessoa, tu deves dizer para ela francamente: olha, prefiro que tu procures um colega.

Diário – O médico deve atender apenas pessoas com quem ele se dá bem?

Paulo – Não, eu acho que ele deve evitar atender as pessoas que percebe que, por algum motivo, não vai se dar bem.

Diário – O senhor acha que isso pode influenciar no atendimento?

Paulo – Inconscientemente até pode influenciar. O médico sempre procurar ser o máximo possível imparcial.

Diário – O senhor já presenciou outros casos semelhantes?

Paulo – Eu não me recordo de um caso tão rumoroso como esse.

Diário – Isso não é comum?

Paulo – Não. Eu acho que, às vezes, o médico evita ser muito direto. Acho que essa médica foi extremamente honesta.

Diário — Ela está abalada com a repercussão?

Paulo – Não. Acho que ela está surpresa.

Diário – Positiva ou negativamente?

Paulo – Nem positiva, nem negativamente. Só admirada.

Diário – Ela demonstra arrependimento?

Paulo – Não. Não tem porque se arrepender. Ela tem que se orgulhar disso. Tem que se orgulhar de ter cumprido o código de ética, ter sido clara, honesta.

Diário – A criança foi prejudicada?

Paulo – Absolutamente não. Existem milhares de médicos em Porto Alegre que podem dar um atendimento tão bom quanto esta doutora.

Diário — E se acontecesse com o senhor?

Paulo — Eu gostaria muito que o médico fosse franco, que ele não fosse um fingido, ficasse fingindo que tem prazer e alegria em me atender quando, na verdade, ele está representando um papel.

Diário — O que acontece fora do consultório influencia na consulta?

Paulo — Não que interfira na consulta, mas interfere no relacionamento entre as pessoas. Porque não foi por causa de uma consulta, o procedimento da médica ocorreu fora do consultório, não interferiu na consulta, mas no relacionamento entre dois adultos maduros e esclarecidos. Essa moça é até vereadora, ou suplente de vereadora, não é uma analfabeta ou uma pessoa com deficiência. São dois adultos inteligentes e aptos que devem ter um relacionamento maduro, tranquilo, sereno e até bem claro.

Definitivamente, chegamos ao auge dessa loucura. Apenas porque a mãe em questão é filiada do PT, a médica se recusa ao atendimento? Se fosse do PSDB ai tudo bem, não ia ter problema?

Algumas pessoas estão comparando o caso com o que houve na Alemanha entre judeus e nazistas. Vocês têm certeza que essa comparação é válida? Comparar a situação do Brasil com o massacre que tivemos na época de Hitler? Estamos mesmo massacrando os brasileiros a tal ponto? Mesmo que a consulta fosse de rotina e não de urgência, a médica poderia ter indicado outro especialista, alguém que não tivesse essa linha de pensamento.

Não digo aqui que temos que ter o mesmo ponto de vista político, pelo contrário, é importante cada um seguir o seu rumo, mas agora, fazer disso uma desculpa para não atender? Imagine se a moda pega, ou então se o consulta ou o atendimento fosse de vida ou morte. Imagine se isso pega na rotina do dia a dia. “Não vou trabalhar com você porque você é petista”, “Não vou sentar do seu lado porque você é petista”. Quem for apartidário então, se ferrou, porque ninguém mais vai te respeitar.

Felizmente, meus caros, até o momento não tivemos mortes por causa dessa rixa política. E falo sério, porque a pancadaria que está acontecendo nas ruas em manifestações ainda não chegou ao seu ápice do ridículo. Vamos fazer justiça do jeito certo. Uma atitude dessas mostra o quanto somos ignorantes perante aos fatos. E lamento que até os médicos estejam levando suas consultas para o lado político. Eu lamento.

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