MBL defende que constituição é ‘um sistema de opressão’ da democracia

 

A semana política começou com a repercussão da entrevista entre Carina Vitral, membro da União Nacional dos Estudantes (UNE) e Kim Kataguiri, líder do Movimento Brasil Livre (MBL) e atualmente colunista do jornal Folha de S.Paulo. Ironicamente, a entrevista foi realizada pela TV Folha – que faz parte do mesmo jornal onde Kim é colunista – no dia 8 de abril (sexta-feira).

Umas das grandes discussões da entrevista é o envolvimento da UNE contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O debate mostrou dois pontos da atual política, pois Kim é claramente um defensor da retirada do governo do PT da presidência do país.

Dentre todos os temas falados entre as duas partes, Kim defende que a Constituição de 1988 é um “sistema disfarçado para a opressão”. Como líder do MBL, espero profundamente que tudo que ele disse na entrevista seja a mesma visão seguida pelo movimento que ele lidera. Dentre todas as suas funções, a Constituição assegura um limite ao poder político em diversos aspectos.

Para quem conhece a história, sabe que a primeira constituição foi realizada por Dom Pedro I em 1824, e era considerada uma das constituições mais liberais dos impérios daquela época. Sua última revisão, como a própria data diz, foi feita em 1988, e desde então não foi modificada.

Quero deixar claro que mesmo com todas as normas previstas na Constituição, com todos os limites previstos, denúncias contra os governos, seja os governos de “esquerda” ou de “direita” são vistas desde que essas normas foram modificadas em 1988. Kim parece não entender que sem essas normas o Brasil teria quebrado há muitos anos atrás, até mesmo na monarquia de Dom Pedro, que não aceitava ser criticado pelas suas decisões.

Outro ponto importante, e que se tira conclusão, é que o sistema público, em todas suas dimensões, é ruim para a liberdade do Brasil que o MBL tanto defende. Carina, em contraponto, explica que o sistema público é importante para as classes menos favorecidas, que pagam seus impostos, que são altos desde o governo PSDB, quando não se tem condições de pagar um plano de saúde ou uma escola particular, por exemplo. Não é a toa que o sistema de educação foi modificado e programas como Fies e Prouni foram desenvolvidos.

Francamente, eu não sei aonde o MBL quer chegar até agora. Kim não deixa claro o seu pensamento. Em vez disso, prefere debochar da representante da UNE e achar tudo “engraçado”. Ele tem todo o direito de ser contra o governo, mas ele ainda não deu uma alternativa para mudar o país. Vamos tirar a Dilma e entregar o governo para quem? Para o Temer? “Libertar” o Brasil da constituição e fazer um carnaval no governo? Eu ainda espero uma resposta convincente dessa “direita” que protesta com suas SUVs e se alimenta de filé mignon nas manifestações.

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