Reforma política ou aumento na desigualdade social?

BRASILIA, BRAZIL - MAY 09:  President of Brazil Dilma Rousseff attends a ceremony launching a new federal university program at Planalto presidential palace in Brasilia, Brazil on May 09, 2016. The acting speaker of the lower house of Brazils Congress annulled last months vote on impeachment, delaying and complicating the process that was widely expected to see embattled President Dilma Rousseff suspended. (Photo by Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/LatinContent/Getty Images)

(Foto: Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/LatinContent/Getty Images)

 

O Senado aprovou o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff da presidência do Brasil. Com isso, Michel Temer assume o cargo interinamente até que o processo de impeachment seja (ou não) definitivamente aprovado e Dilma perca todos os seus direitos de presidente em 2016.

Para fortalecer a ideia de mudança no país, Temer começou suas mudanças nos ministérios e chamou pessoas “de confiança” para comandar o país nessa nova caminhada como por exemplo, José Serra, Gilberto Kassab, Raul Jungmann e Romero Jucá.

O Brasil realmente mudou, realmente criou uma cara nova, mas ainda estamos longe de ter uma política perfeita no país. Enquanto o processo de impeachment foi feito com certa pressa e votado rapidamente, casos como o desvio da verba na merenda no estado de São Paulo e da ex-detenta e moradora de Ribeirão Preto (SP) Luana são casos que a polícia “investiga como quer” e “prende como quer”. Nenhum dos fatores ainda foi concluído – no caso da merenda é pior, que a CPI só foi aprovada essa semana – e os assassinos de Luana ainda não foram julgados.

Em outro patamar, a Lava Jato deixou o protagonismo midiático para a entrada do impeachment, que virou um belo “showrnalismo” na TV brasileira. A cobertura da votação na Câmara dos Deputados, com direito a show de horrores e discursos carregados de preconceito e discriminação, foi amplamente divulgado pela mídia brasileira, enquanto casos como Luana e a merenda escolar são noticiados como simples notas peladas (quem for do jornalismo saberá o que digo), sem ao menos o repórter se preocupar em apurar as informações.

Agora o maior medo não é mais o impeachment, mas sim as conseqüências desse ato. Temer assume, muda a casa e agora? Vamos ter a confiança de volta ou continuaremos com corte de gastos e aumento do desemprego? Não esperem que os problemas se resolvam do dia para a noite, a política funciona a passos lentos e nossos políticos não estão preocupados com esse tempo.

A política brasileira já mostrou por diversas vezes que sempre esteve perdida em meio à corrupção e aos escândalos. Não é de hoje que falamos em inflação e desigualdade social. Olhe você mesmo em volta, na sua cidade, e procure saber se o governo tem algum projeto para integrar comunidades, sejam elas pobres ou ricas. Procure analisar a questão de calçamento, pavimento, esgoto, luz nas partes ricas e pobres da cidade. E conclua, com toda a certeza, que não é a troca de um governo por outro – a troca da “presidenta perdida” pelo “vice figurativo” – que nós já resolvemos todos os problemas e que podemos sentar em nossos sofás e continuar com a alienação midiática.

Em tese, daqui para frente teremos mais movimentações políticas do que jamais vimos. Precisamos encontrar um rumo para um país mergulhado na desigualdade, desconfiança, corrupção e sujeira. Precisamos varrer a ideia de corrupção e roubo de nossas cabeças. Precisamos, mais do que nunca, agirmos como seres racionais e não apenas pela manutenção do nosso próprio umbigo. Precisamos lutar pelo coletivo e não apenas pelo individual. Precisamos lutar pelo Brasil.

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