Herança cultural traz a tona problemas “de monarquia” em plena “era digital”

O Brasil inteiro parou nos últimos dias para falar sobre o estupro de uma garota por 33 homens no Rio de Janeiro. A massa midiática tocou no assunto a fundo, principalmente no domingo (29), quando SBT, Globo e Record mostraram entrevistas “exclusivas” com a menina estuprada.

O que chamou a atenção de toda essa história foi o desenrolar de nossa sociedade perante o fato. Uma boa parte da população se “solidarizou” com a menina, mas outra parte importante da sociedade acusou a menina de ser drogada e apoiar o depoimento do namorado, que diz que o estupro não aconteceu.

A grande preocupação é que em uma época de grandes evoluções tecnológicas, descobertas importantes da ciência ainda dividem espaço nos noticiários com fatos tão primitivos como o estupro coletivo. O Brasil traz para o século XXI um problema que ocorre desde as descobertas dessas terras por Portugal e a instalação da nobreza portuguesa ao fugir da guerra contra Napoleão Bonparte: o de que a mulher é submissa ao homem e só serve para procriar e realizar os serviços domésticos.

O Brasil de hoje herda essas “manias de monarquia” para justificar casos como o estupro coletivo. No entanto, roupas curtas e rebolar em bailes funks não são justificativas para “a menina merecia ser estuprada”, “ela não se dá ao respeito” ou “ela teve o que queria”. Ideias machistas como essas não justificam o que aconteceu. Se aproveitar de uma menina, sendo ela indefesa ou não, de uma maneira como essa só deixa clara a grande desigualdade que vivemos.

No entanto, fatos como esses, infelizmente, são do cotidiano e devem sim ser denunciados. Por mais que o caso tenha tido toda essa repercussão e que ainda se questionem se houve o estupro ou não, abusar de uma mulher, ou mesmo de um menor de idade, não tem explicação. Os problemas no Brasil são muito maiores do que apenas o impeachment de Dilma. O Brasil pede por socorro.

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