Folha divulga dados imprecisos e pressão faz jornal se explicar em nova reportagem

(Foto: Reprodução)

 

A semana começou com a divulgação de nova pesquisa feita pelo Datafolha, e publicada na Folha de S.Paulo, sobre a opinião da população sobre a atual situação política no país, em especial a presidência da República. Essa é a primeira pesquisa publicada pelo Datafolha após a posse interina de Michel Temer – a última pesquisa aconteceu em abril e apontava quem era a favor ou contra o impeachment de Dilma Rousseff.

No entanto, no último sábado (16), o instituto de pesquisas divulgou dados em uma reportagem da Folha que 50% dos brasileiros apoiavam a permanência de Temer na presidência e apenas 32% pediram o retorno de Dilma. O mais surpreendente foi que 4% disseram não querer nenhum dos dois e 3% desejam a realização de novas eleições.

Os dados divulgados vão de encontro a outros resultados dessa pesquisa, que mostram, por exemplo, que o ex-presidente Lula obteve entre 21% e 23% das intenções de voto e apenas 14% aprovam o governo de Temer. Além disso, um terço dos eleitores não sabe o nome do presidente Temer.

O que mais chamou a atenção foi uma reportagem dessa quarta-feira (20) onde a Folha “tenta explicar” os dados com a divulgação na íntegra da pesquisa. Agora, os dados são mais claros, mas ao mesmo tempo preocupam pelo possível “manipulação” na divulgação desses números. Confira:

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Veja que 62% das pessoas entrevistadas – perceba que o Datafolha conversou com 2.792 pessoas em 171 municípios nos dias 14 e 15 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos – são a favor de novas eleições e apenas 30% são contra. 8% não souberam opinar ou são indiferentes perante essas mudanças.

Questionada do porquê a pesquisa não foi divulgada por completo, a resposta ofende até os mais ignorantes. Editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila disse que “O resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não nos pareceu especialmente noticioso, por praticamente repetir a tendência de pesquisa anterior e pela mudança no atual cenário político, em que essa possibilidade não é mais levada em conta”.

Mesmo se uma possível eleição geral não é mais levada em conta, o jornal deveria concluir que a população não mudou de opinião de um dia para a noite ou de algumas semanas para cá. Ter 62% de pessoas que são contra Dilma e Temer, e consequentemente contra quem ajuda os mesmos a governar, precisa e muito ser levado em conta. A Folha mais uma vez faz um desserviço para a população e para o jornalismo como um todo.

Poucas respostas

Outro apontamento mostra que a reposta sobre eleições gerais não constava na pesquisa, e que as respostas se limitavam em “Temer fica” e “Dilma volta”. O Data explicou que não fica indagando os entrevistados, e espera apenas que os mesmos respondam a pesquisa com suas opiniões. O governo Temer também foi avaliado de forma negativa ao ser comparado ao governo Itamar Franco, que assumiu logo após o impeachment de Collor.

Um jornal de renome e um instituto de tanta importância se dando ao luxo de “boicotar” uma pesquisa é de chorar de raiva. O jornalismo brasileiro de hoje passou de um simples meio de comunicação para um manipulador de opiniões. A famosa teoria do “o que eu divulgo é verdade, o resto é mentira ou boato”. Palmas ao jornalismo manipulador brasileiro!

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