Startups investem em modelos no agronegócio e se tornam mercado promissor no Brasil

(Foto: Reprodução/Google)

Nos últimos dez anos, Brasil despontou como terceiro maior mercado de startups; modelo facilita e otimiza o trabalho do homem do campo

O mercado de tecnologia e inovação vem ganhando espaço no Brasil nos últimos dez anos. Uma pesquisa realizada pela Agência Brasil em julho de 2018 estimou a existência de cerca de 62 mil empreendedores e seis mil startups no país. E isso não foi diferente com o setor do agronegócio.

Resumidamente, uma startup é uma empresa jovem com um modelo de negócios repetível (pode alcançar vários pessoas de modo ilimitado) e escalável (consegue crescer sem que isso influencie seu modelo de negócios). Na maioria dos casos, a startup aumenta seus lucros sem a necessidade de grandes investimentos ou aumento de gastos.

De acordo com Heloísa Beigin, executiva de marketing da Innovativa Executivos Associados, uma empresa de consultoria com sede em São Paulo, o Brasil desponta hoje como um dos países com maior potencial para o empreendedorismo em todo o mundo.

“Cada vez mais os brasileiros têm deixado carreiras tradicionais de lado para investir em negócios inovadores, quase sempre ocupando espaços não atendidos por grandes corporações ou melhorando processos produtivos ineficientes por meio da tecnologia. O Brasil é hoje o terceiro país em número de startups no mundo, atrás somente de China e Estados Unidos”, diz.

Em 2012, a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) possuía 2.519 startups cadastradas em seu sistema. Em 2017, o número saltou para 5.147. Segundo Heloisa, este número poderia ser muito maior, pois muitas startups estão em fase de testes ou ainda não possuem o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). “Das empresas cadastradas na base de dados da ABStartups, 72% são lideradas por jovens entre 25 e 40 anos de idade, 87,13% são comandadas por homens e 12,3% por mulheres”, comenta.

Mas como este mercado pode ajudar o homem do campo?

Com a facilidade para resolução de problemas e a praticidade para resolver tarefas no agronegócio, as startups se tornaram um grande mercado para aumentar a produtividade e tem atraído um número crescente de fundos de investimentos. É o chamado “AgTech”, termo criado nos Estados Unidos para se referir às empresas de tecnologia aplicadas ao agronegócio.

“Em 2014, o setor de AgTech recebeu investimentos da ordem de US$ 2,36 bilhões. Esse valor é superior ao de mercados bem badalados, como o de Fintechs (tecnologia para o sistema financeiro), com US$ 2,1 bilhões. No Brasil, nos últimos anos, algumas startups promissoras chegaram ao mercado e passaram a se destacar dentro e fora do país”, destaca Heloísa.

Insights AgTechs

A expansão do mercado das startups no agronegócio motivou a Liga Ventures, primeira aceleradora do Brasil focada em conectar startups e grandes corporações, a criar o “Liga Insights AgTechs”, um mapeamento com todas as startups do agro espalhadas pelo Brasil e em quais mercados elas atuam. O levantamento contou com a participação de diversos parceiros, dentre eles o Supera Parque, ambiente de inovação e acelerador localizado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Mapeamento separou as startups em especialidade e localidade (Foto: Reprodução/Liga Insights AgTechs)

Publicado em abril de 2019, o estudo tem como objetivo “compreender como o setor agropecuário está inovando e de que forma as startups que apresentam soluções para esse setor estão sendo desenvolvidas e aplicadas no Brasil”. O projeto mapeou 307 startups em 105 cidades de 18 estados e cada uma foi separada por especialidade e localidade. Estima-se que 4% das startups do agronegócio estão localizadas na região de Ribeirão Preto.

De acordo com Eduardo Cicconi, gerente do Supera Parque, as startups oferecem diversas soluções no campo como controle de pragas, monitoramento da meteorologia e utilização de drones para fertilização e irrigação. Tudo isso compõe o conceito de startup no setor agropecuário.

“Ele [a startup] precisa criar teorias sobre a aplicabilidade de sua solução, que deve atender ao maior número possível de usuários. Parte do conceito da startup é que a ideia tem que ser replicável, ou seja, chegar ao maior número de pessoas, com o menor custo”, comenta.

Cicconi aponta que, mesmo com o crescimento deste mercado e de como ele movimenta a economia, as startups não são a salvação de uma possível crise financeira. Este é apenas um dos segmentos da economia, que só vem crescendo no país.

“Evidentemente que o investimento em tecnologia e inovação dá frutos que podem ajudar a incrementar a economia. Esse é, inclusive, um dos papéis do mercado de startups. Não se trata de ver o setor como a ‘salvação da lavoura’, mas sim como uma possibilidade interessante de resolver problemas das pessoas, incrementando, no processo, a economia”, diz.

Experiências

Dentre as startups mapeadas no estudo, destaca-se a AgroHúngaro. A startup trabalha com mapeamento de lavoura, análise laboratorial e, em 2019, lançou o “Digital Farms”, que realiza uma completa análise na planta para saber como está seu crescimento e o que é necessário para manter a saúde da planta e do solo.

“Temos dez anos de mercado atuando nesse sentido. Nosso objetivo é levar solução ao cliente, não somente a informação. A era tecnológica nada mais fez que automatizar, registrar e permitir escala, no que já fazíamos de forma manual. Por isso, sempre digo que inteligência artificial, sem inteligência humana e agrícola, será sempre somente um nome diferente”, explica Rafael Húngaro, sócio-proprietário da AgroHúngaro.

A empresa tem um projeto de expansão internacional em cinco anos e estima uma faturamento de R$ 50 milhões em três anos. Húngaro vê um mercado muito promissor no Brasil. “Hoje, o que era impossível para o médio e pequeno produtor está acessível na parte de tecnologias. E, mais que tudo, o produtor que não se adaptar ao novo mercado vai deixar de ser produtor em um curto espaço de tempo por necessidade”, aponta.

Com o Digital Farms é possível fazer um mapeamento completo da lavoura (Foto: Reprodução/Facebook)

É o que também acredita o co-fundador da YouAgro, Guilherme Moraes, que desenvolveu a ideia de uma plataforma colaborativa focada no agro, com o objetivo de aumentar a colaboração entre membros do setor e, consequentemente, as oportunidades de negócios.

Segundo Moraes, hoje há uma mudança no perfil das grandes empresas, com os filhos assumindo os negócios dos pais. “É um profissional mais conectado, mais informado, conectado com o mundo (age local mas pensa global), e consome informação de maneira diferenciada (cresceu com internet e consumo instantâneo de informação). Em outras palavras, ele quer tomar decisão na palma da mão, esteja onde estiver. Além disto, podemos destacar que a mulher está cada vez mais presente no campo e assumindo posições de liderança”, destaca.

A YouAgro trabalha com parcerias como o Sebrae em Piracicaba, além de marketing digital, indicadores sociais e eventos do setor. “Em termos numéricos temos 8.200 usuários cadastrados no app e mais de R$70 mil de receita”, enumera Moraes.

Para Fabrício Hetz, CEO da Hórus Aeronaves, startup que trabalha com mapeamento e produção agrícola por meio de drones desde 2014, a tecnologia se tornou algo necessário no agronegócio, principalmente para aumentar e customizar a produção no campo.

“Essa tecnologia não é mais ‘coisa do futuro’. Já é real, presente e necessária para os produtores rurais aumentarem sua produtividade. Cada vez mais será necessário investir em análises e gestão da plantação, pois os recursos naturais estão cada vez mais escassos e é preciso estar atento a isso”, finaliza.

Saiba mais sobre o ‘Liga Insigths AgTechs’: https://insights.liga.ventures/estudos-completos/agtechs-agro/

Supera Parque: http://superaparque.com.br/

YouAgro: http://www.youagro.com/

AgroHúngaro: http://www.agrohungaro.com/

Hórus: https://horusaeronaves.com/

O Supera Parque é o principal espaço de aceleração de startups na região de Ribeirão Preto (Foto: Divulgação)

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2 comentários sobre “Startups investem em modelos no agronegócio e se tornam mercado promissor no Brasil

  1. Pingback: Startups investem em modelos no agronegócio e se tornam mercado promissor no Brasil | Jornalista Nicholas Araujo

  2. Pra quem me disse que essa matéria foi sair da caixa e da zona de conforto você se saiu super bem e eu já esperava por isso! Tô orgulhosa, parabéns amigão! Forte abraço! 😍

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